Deficiência auditiva: Perigoso demais

Os deficientes auditivos correm mais riscos de sofrer violência devido às suas limitações. Por não ouvirem bem, podem não compreender a gravidade de uma situação, como o anúncio de um assalto, por exemplo. É preciso atenção redobrada quando o assunto é a sua segurança e integridade física. Inúmeros casos de violência e maus tratos a deficientes são noticiados frequentemente por eles não terem ouvido e compreendido algo. Recentemente, um idoso do Rio Grande do Sul foi mantido preso por 12 horas por não ter ouvido as ordens de uma delegada de sair de sua sala, onde ele entrou por engano. No Mato Grosso, no Piauí e em Minas Gerais idosos foram violentamente agredidos por não ouvirem o anúncio de assalto.

Não ouvir os sons aumenta os riscos no dia-a-dia, uma vez que a audição, além de nos auxiliar na localização sonora, serve para nos alertar sobre um momento de perigo nas ruas, estimulando nossa autodefesa frente a ameaças como crimes, assaltos, sequestros ou mesmo ordens de policiais em operações. Quem tem perda de audição e não usa aparelho auditivo não ouve, por exemplo, alguém gritando seu nome para avisá-lo de algum risco ou até mesmo não compreende se um bandido anuncia um assalto. O perigo também se acentua no trânsito, pois o deficiente auditivo se vê mais suscetível a batidas de carro e atropelamentos, uma vez que pode não ouvir a buzina de um carro, um grito, ou uma sirene tocando.

Muitos deficientes e familiares podem não ter se atentado ainda, mas a audição é um sentido fundamental para a nossa segurança. Não ouvir é perigoso. O deficiente auditivo está totalmente a mercê de infinitos perigos urbanos e domésticos. Todos têm o direito de ir e vir com segurança e autonomia, garantindo o seu bem-estar físico e psicológico. E o que vai resguardar o deficiente desses perigos é o uso da tecnologia a seu favor. Para isso é necessário a orientação de um médico otorrinolaringologia e as avaliações necessárias para determinar o tipo e o grau da perda auditiva. Em muitos casos opta-se por indicar o uso de aparelhos auditivos.

É imprescindível que, independentemente da idade, sempre que houver suspeitas, haja a preocupação em recuperar a audição, buscando tratamento o mais precocemente possível. Além de melhor qualidade de vida, voltar a ouvir vai garantir maior segurança. Se for necessário o uso de aparelho auditivo, cabe a um fonoaudiólogo indicar qual modelo é o mais indicado para atender às necessidades do paciente. Atualmente, há no mercado uma diversidade de modelos de aparelhos auditivos, como os da Telex, que por serem confortáveis e terem design moderno, estão ajudando a derrubar possíveis resistências e preconceitos. É importante que o deficiente auditivo use a tecnologia disponível hoje em dia para voltar a ouvir. Na maioria das vezes, o uso da prótese auditiva transforma a vida do usuário, devolvendo a autoconfiança ao ouvir os sons do mundo ao redor.

Por: Isabela Papera é fonoaudióloga, especialista em audiologia

Fonte: Sul 21